Powered By Blogger

domingo, 11 de novembro de 2018

Tuas Mãos


Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?
Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.
A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.
-Pablo Neruda

Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, nasceu no dia sete de maio de 18889. Sob o pseudónimo de Gabriela Mistral, atuou como poetisa, educadora, diplomata e feminista chilena. primeiro nome da América Latina a vencer o Prêmio Nobel de Literatura.
Gabriela Mistral (1889-1957), pseudônimo literário de Lucila de Maria del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, nasceu em Vicuña, no Norte do Chile, no dia 7 de abril de 1889. Filha de um professor, descendente de espanhóis e índios, desde cedo, demonstrou um interesse duplo: tanto pela escrita como pela docência. Com 16 anos decidiu se dedicar à carreira de professora. Quando estava com 18 anos, seu namorado se suicidou, fato que marcou sua obra e sua vida.
Em 1914, quando tinha 25 anos, ganhou um concurso de poesia nos Juegos Florais de Santiago, com “Sonetos de La Muerte” – começava a nascer “Gabriela Mistral”, nome criado em homenagem aos poetas que admirava o italiano Gabriele D’Annunzio e o francês Frédéric Mistral. Em 1922, publicou seu primeiro livro de poesias, “Desolación”, onde incluiu o poema “Dolor”, no qual fala da perda de seu amado.
Gabriela Mistral trabalhou como professora de escola secundária e como diretora. Ainda em 1922, foi convidada para trabalhar no Ministério da Educação do México, e logo se tornaria uma referência na pedagogia – elaborou as bases do sistema educacional do México, fundou escolas e organizou várias bibliotecas públicas.
Terminada sua estada no México, Gabriela viajou pela Europa, Estados Unidos e América Latina. Em 1926 foi nomeada secretária do Instituto de Coperación Intelectual de la Sociedade de Naciones. Paralelamente foi redatora da revista de Bogotá “El Tiempo”. Representou o Chile em um Congresso universitário em Madri e pronunciou uma série de conferências sobre o desenvolvimento cultural norte-americano, nos Estados Unidos.
Gabriela Mistral foi nomeada Consulesa do Chile e representou seu país em Nápoles, Madri, Lisboa e no Rio de Janeiro.  Nos anos 30 e 40, ela era considerada um ícone da literatura latino-americana, mas em 1945, se tornou o primeiro nome da América-Latina a vencer o Prêmio Nobel de Literatura – na época, morava em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Logo que chegou ao Brasil, fez amizade com Cecília Meireles – lançaram um livro de poemas junta. Fez amizades literárias com Manuel Bandeira, Jorge de Lima, Assis Chateaubriand e seu predileto, Vinícius de Moraes. Conheceu Mário de Andrade através de Cecília. Nessa época, escreveu para o Jornal do Brasil.
Sua poesia é única, mística e repleta de imagens singulares e de lirismo. Seus temas centrais são o amor pelos humildes, memórias pessoais dolorosas, as mágoas e um interesse mais amplo por toda a humanidade. Entre seus poemas destacam-se: “Gotas de Fel”, “Eu Não Sinto a Solidão” e “Dá-me Tua Mão”.
Atenta aos problemas de seu tempo, na obra “Pecados: Contados a Chile” (1957), Mistral analisou múltiplos temas como a condição da mulher na América Latina, a valorização do índio, a educação e a necessidade de diminuir as desigualdades sociais no continente. Mais tarde, seus ensaios educacionais foram reunidos em “Magistério y Niño” (1982).
Gabriela Mistral faleceu em Nova Iorque, Estados Unidos, no dia 10 de janeiro de 1957.
(https://www.ebiografia.com)

Cosas




Amo las cosas que nunca tuve 
con las otras que ya no tengo. 

Yo toco un agua silenciosa, 
parada en pastos friolentos, 
que sin un viento tiritaba 
en el huerto que era mi huerto. 

La miro como la miraba; 
me da un extraño pensamieto, 
y juego, lenta, con esa agua 
como con pez o con misterio. 



Pienso en umbral donde dejé 
pasos alegres que ya no llevo, 
y en el umbral veo una llaga 
llena de musgo y de silencio. 



Me busco un verso que he perdido, 
que a los siete años me dijeron. 
Fue una mujer haciendo el pan 
y yo su santa boca veo. 



Viene un aroma roto en ráfagas; 
soy muy dichosa si lo siento; 
de tan delgado no es aroma, 
siendo el olor de los almendros. 

Me vuelve niños los sentidos; 
le busco un nombre y no lo acierto, 
y huelo el aire y los lugares 
buscando almendros que no encuentro... 



Un río suena siempre cerca. 
Ha cuarenta años que lo siento. 
Es canturía de mi sangre 
o bien un ritmo que me dieron. 

O el río Elqui de mi infancia 
que me repecho y me vadeo. 
Nunca lo pierdo; pecho a pecho, 
como dos niños, nos tenemos. 



Cuando sueño la Cordillera, 
camino por desfiladeros, 
y voy oyéndoles, sin tregua, 
un silbo casi juramento. 



Veo al remate del Pacífico 
amoratado mi archipiélago 
y de una isla me ha quedado 
un olor acre de alción muerto... 



Un dorso, un dorso grave y dulce, 
remata el sueño que yo sueño. 
Es el final de mi camino 
y me descanso cuando llego. 

Es tronco muerto o es mi padre 
el vago dorso ceniciento. 
Yo no pregunto, no lo turbo. 
Me tiendo junto, callo y duermo. 



Amo una piedra de Oaxaca 
o Guatemala, a que me acerco, 
roja y fija como mi cara 
y cuya grieta da un aliento. 

Al dormirme queda desnuda; 
no sé por qué yo la volteo. 
Y tal vez nunca la he tenido 
y es mi sepulcro lo que veo...
-Gabriela Mistral